Calcutá -um musical que nos encheu a alma.

Quando tinha cerca de 6/7 anos o meu pai levou-nos, a mim e às minhas irmãs, ao nosso primeiro musical – Annie. Um musical inspirado  na história de Harold Gray – “Annie, a Pequena Órfã”.

Foi mágico. Lembro-me que às tantas chorávamos como umas “Marias Madalenas”, porque a Annie, de cabelos ruivos, era pobre e órfã e ainda por cima era maltratada no orfanato. Claro que acabou bem, como acabam todas estas histórias infantis e ficou-nos a memoria doce do nosso primeiro espectáculo.

No domingo quis também dar esta primeira experiência às miúdas cá de casa. Escolhi o musical “Calcutá” para esta primeira vez das duas mais novas (porque a outra já tinha ido ao musical Musica no Coração que adorou.)

O musical “Calcutá” esgotou nas suas primeiras sessões, tendo a organização decidido fazer mais sessões, que também esgotaram nos primeiros dias. A procura era imensa e por isso as expectativas era altas.

“Calcutá” tinha uma mensagem forte- Madre Teresa de Calcutá foi uma guerreira, uma líder nata, que com a sua determinação e com a ajuda de Deus criou esta imensa congregação que são as Missionárias da Caridade, espalhadas pelo mundo inteiro. Através de “Calcutá” conhecemos a mulher que viveu para se dedicar aos mais pobres dos pobres: os desvalidos, os abandonados, os que vivem à margem da sociedade.

O espectáculo foi intenso, só tendo perdido um pouco pelo som um pouco alto demais. As músicas eram lindas e a forma como eram cantadas enchia a sala. Adorei ouvir o Salvador Seixas e muitos dos outros protagonistas, mas o que me tocou mesmo foi uma frase cantada por uma miúda que na peça, tinha ido fazer voluntariado a Calcutá e perante um quadro de miséria tão grande, desesperou e cantava chorando “Quero sair daqui…”.

Estive também, tal como esta rapariga, a fazer voluntariado em Moçambique com o grupo fundador da Equipa d’África, em 1998. Tal como ela, fui trabalhar uns dias para as Missionárias da Caridade, num dos bairros mais pobres, da zona mais pobre dos arredores de Maputo – Matola.

Havia crianças… e muitos bebes, órfãs, doentes, seropositivos, a viverem em condições muito pobres, onde não havia nada. Estes bebes e crianças dependiam das irmãs para sobreviverem. Elas do nada tentavam fazer alguma coisa e sempre…dar amor. E eu…no meio daquilo, sentindo aquele cheiro e vendo a miséria que me rodeava, gritei cá dentro “quero sair daqui….”.

Mas fiquei e tentei ser uma gota no oceano. Como dizia Madre  Teresa: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”

 

 

 

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